A ureia ocupa um papel central na agricultura moderna e se consolidou como o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo. Produzida em laboratório a partir de amônia e dióxido de carbono, apresenta alta concentração de nitrogênio (cerca de 46%), o que garante eficiência no manejo nutricional das lavouras. Antes dela, fontes menos acessíveis e produtivas, como guano e nitrato de sódio, dominavam o setor.
A revolução proporcionada pela ureia foi justamente a combinação de disponibilidade, escala de produção e viabilidade econômica, fatores que permitiram atender à crescente demanda global por alimentos.
O papel da ureia no agronegócio brasileiro
Como potência agrícola, o Brasil está entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo — atualmente ocupa a quarta posição. A ureia é indispensável para culturas estratégicas como milho, soja, cana-de-açúcar e pastagens, sustentando a produtividade que coloca o país como protagonista no agronegócio global.
Em 2022, o Brasil importou cerca de 7,1 milhões de toneladas de ureia, segundo a Esalq/USP. Já em 2025, as importações totais de fertilizantes seguem em alta, reflexo da expansão da área cultivada e da busca por maior eficiência produtiva. Esse cenário reforça a relevância do insumo, mas também expõe a vulnerabilidade nacional frente às oscilações do mercado internacional.
De onde vem a ureia utilizada no Brasil?
A maior parte da ureia importada pelo Brasil vem de países como Irã, Omã, Catar, Nigéria, Rússia e Argélia, sendo a Rússia um dos principais fornecedores.
O transporte envolve uma operação logística de grande escala: mais de 92% dos fertilizantes chegam por via marítima, desembarcando em portos estratégicos como Paranaguá (PR), Santos (SP) e Rio Grande (RS). A partir daí, a distribuição segue por rodovias e ferrovias até chegar a polos agrícolas como o Mato Grosso, um dos maiores consumidores de fertilizantes do país.
Desafios para reduzir a dependência de importações
A forte dependência de importações de ureia representa um dos principais desafios para o setor. Entre os riscos estão:
- Volatilidade dos preços internacionais;
- Custos de frete e logística;
- Tensões geopolíticas que afetam a cadeia de suprimentos;
- Preço do gás natural, matéria-prima essencial para a produção de ureia.
Para enfrentar esse cenário, o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) 2050 surge como um marco estratégico, com o objetivo de atrair investimentos e estimular a expansão da produção nacional de fertilizantes, reduzindo vulnerabilidades e garantindo maior segurança no abastecimento.
Ureia: investimento estratégico para o produtor rural
Mais do que um insumo, a ureia é um ativo estratégico para o agronegócio. Quando aplicada corretamente, garante nutrição eficiente das plantas, aumento da produtividade e maior rentabilidade para o produtor rural.
Combinada a orientação técnica e boas práticas de manejo, a ureia se consolida como peça-chave para que o Brasil mantenha sua posição de celeiro do mundo, assegurando não apenas resultados econômicos, mas também a sustentabilidade da produção agrícola.
E você, acredita que o Brasil deve acelerar o caminho rumo à autossuficiência em fertilizantes?