O que faz cada uma das indústrias que integram o CIAI e por que elas são estratégicas para o agro brasileiro?

Quando pensamos no agronegócio, é comum imaginar a produção dentro da fazenda. No entanto, existe uma extensa cadeia industrial responsável por transformar grãos em combustíveis, alimentos, energia e insumos que movimentam a economia e agregam valor à produção agrícola.

É justamente essa integração que inspira o CIAI – Complexo Industrial Agrícola de Itiquira, um projeto concebido para reunir diferentes segmentos industriais em um mesmo ambiente, aproveitando sinergias logísticas, industriais e energéticas. O complexo prevê a integração de uma usina de etanol de milho, uma indústria de biodiesel, esmagadoras de soja e de caroço de algodão, uma misturadora de fertilizantes e uma usina geradora de energia. O projeto ambicioso é uma parceria entre a Catarina Fertilizantes, Aplus Engenharia e SAES EMPREENDIMENTOS

Mas, afinal, qual é a função de cada uma dessas indústrias?


 

Etanol de milho: muito além do combustível

Nos últimos anos, o etanol de milho ganhou protagonismo no Brasil, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional do cereal. No cenário global, o país é o segundo maior produtor de etanol de milho do mundo.

O processo consiste em transformar o amido presente no milho em etanol por meio da fermentação. Esse biocombustível pode ser utilizado tanto na forma hidratada quanto anidra, sendo este último misturado à gasolina para reduzir emissões e ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética.

Mas a indústria não produz apenas etanol.

Durante o processamento são obtidos coprodutos de alto valor agregado, como o DDGS (Distillers Dried Grains with Solubles), amplamente utilizado na alimentação animal, além do óleo de milho e do gás carbônico que pode ser capturado para aplicações industriais. Isso faz com que praticamente todo o grão seja aproveitado, aumentando a eficiência econômica da cadeia.

 

Biodiesel: transformando óleos vegetais em energia renovável

O biodiesel é um combustível renovável produzido principalmente a partir de óleos vegetais, como o óleo de soja, embora outras matérias-primas também possam ser utilizadas.

Sua produção ocorre por meio de um processo químico chamado transesterificação, que transforma os óleos em um combustível compatível com motores a diesel.

No Brasil, o biodiesel possui papel estratégico porque é misturado obrigatoriamente ao diesel fóssil, contribuindo para reduzir emissões de gases de efeito estufa, fortalecer a segurança energética e ampliar o mercado para diversas cadeias agrícolas. Além do biodiesel, o processo gera glicerina, matéria-prima utilizada pelas indústrias química, farmacêutica e de higiene.

 

Esmagadora de soja: agregando valor ao principal grão do país

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de soja do mundo.

Nas esmagadoras, o grão passa por um processo industrial que separa seus principais componentes.

Os dois produtos mais importantes são:

    • óleo de soja, destinado à alimentação, à indústria e também à produção de biodiesel;

    • farelo de soja, um dos principais ingredientes utilizados na fabricação de rações para aves, suínos, bovinos e outras espécies.

Ou seja, em vez de comercializar apenas o grão, a industrialização gera produtos de maior valor agregado, fortalece a cadeia produtiva e impulsiona a economia regional.


 

Esmagadora de caroço de algodão: aproveitamento integral da produção

Embora o algodão seja reconhecido principalmente pela produção de fibras para a indústria têxtil, seu caroço também possui elevado valor econômico.

Após o esmagamento, são obtidos diferentes produtos, entre eles:

    • óleo de algodão, utilizado na indústria alimentícia e na produção de biodiesel;

    • farelo e torta de algodão, empregados na alimentação animal;

    • línter, uma fibra curta utilizada pelas indústrias química, farmacêutica e de papel.

Essa industrialização amplia o aproveitamento da cultura e contribui para uma economia mais eficiente, na qual praticamente todos os componentes da produção encontram aplicação comercial.

 

Misturadora de fertilizantes: tecnologia para atender diferentes realidades do campo

Nem todas as lavouras possuem as mesmas necessidades nutricionais.

É justamente por isso que as misturadoras de fertilizantes exercem um papel fundamental. Afinal, os fertilizantes são responsáveis por 50% da produtividade no campo.

Nessas unidades industriais são combinadas diferentes matérias-primas, como fontes de nitrogênio, fósforo, potássio e micronutrientes, para produzir formulações específicas para cada cultura, tipo de solo e objetivo de produtividade.

Esse processo permite maior eficiência no uso dos nutrientes, melhora o planejamento logístico e aproxima a indústria das necessidades reais dos produtores rurais.

 

Usina geradora de energia: eficiência para toda a operação

Grandes complexos agroindustriais demandam elevado consumo de energia.

Por isso, a geração própria torna-se um diferencial importante para aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e fortalecer a sustentabilidade da operação.

Dependendo do projeto, essa energia pode ser produzida a partir de fontes renováveis, como sistemas fotovoltaicos ou biomassa, reduzindo a dependência da rede elétrica convencional e contribuindo para uma matriz energética mais limpa. No caso do CIAI, o projeto prevê uma usina com capacidade de geração de aproximadamente 56 MW.

 

Uma cadeia integrada gera mais competitividade

Embora cada uma dessas indústrias tenha uma função específica, seu maior potencial aparece quando atuam de forma integrada.

Os grãos produzidos no campo abastecem as indústrias. Os coprodutos retornam para a pecuária, para outras cadeias industriais ou para a geração de energia. Os fertilizantes abastecem novas safras. A logística é compartilhada. O aproveitamento de matérias-primas aumenta. Os custos podem ser reduzidos e o desenvolvimento regional é impulsionado.

É essa visão sistêmica que vem orientando novos investimentos no agronegócio brasileiro. Transformar regiões produtoras também em polos industriais, aproximando produção, processamento e distribuição.

Mais do que reunir diferentes fábricas, projetos como o CIAI representam uma nova forma de pensar o agro, conectando agricultura, indústria, energia e infraestrutura para gerar mais valor dentro da própria cadeia produtiva.

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